
Passei em frente a uma igreja na cidade onde moro esses dias. Uma faixa amarela (ou verde, lá sei), dizia: “Campanha das 7 chaves para as 7 portas da sua vitória”.
Talvez a sua igreja faça campanhas. Grande parte das igrejas faz. A maioria delas, campanhas de busca por curas, bênçãos e benefícios vindos das mãos de um Deus que muitas vezes é mais procurado por aquilo pode dar do que por aquilo que realmente é. Interessante!? Triste na verdade.
Durante um bom tempo fiquei me perguntando por que alguns pastores fazem coisas do tipo “Toque no manto aqui…”, ou “Venha pegar a sua espada e declare sua vitória” (E olha que eu já vi espadas do He-man serem distribuídas em campanhas assim). Durante muito tempo critiquei isso, mas passei a entender que isso é didático. Algumas pessoas precisam de algo palpável para exercitar sua fé. Pessoas assim precisam do visível ou de pelo menos um vislumbre de que um milagre é possível. Outras precisam simplesmente crer em seus corações. Pois sabem que apesar dele ser invisível, é real (1 Tm. 1.17).
O que me entristece não são as campanhas, e sim as motivações pelas quais as pessoas as promovem e as freqüentam. Insisto em ser contra uma metodologia de apresentar Deus as pessoas por causa do que Ele pode dar. Deveríamos apresentá-lo por aquilo que Ele é. Não consigo deixar de citar como exemplo Moisés. De todas as pessoas que saíram do Egito, só uma delas tinha motivos pra sentir saudade de lá: Moisés. Isso mesmo! Ele era príncipe, morava no palácio. Sabemos que ele matou um egípcio quando viu um de seus compatriotas sendo castigado, mas sabemos que por ser filho adotivo do rei, nada lhe aconteceria.
Moisés foi usado por Deus para libertar aquele povo que era escravo no Egito. Penso em mim na situação. Se eu fosse escravo no Egito e fosse liberto de lá, nunca mais queria voltar. Ao contrário disso vemos um povo que reclamava, que – pasmem – sentia saudades da escravidão. Um povo que tinha a presença de Deus disponível e este mesmo Deus lhes dava tudo que era necessário e, mesmo assim, eles não estavam satisfeitos (Salmo 78).
Certo dia, Deus chega a Moisés e diz que cumpriria sua promessa. Que eles entrariam na terra prometida, que nenhum inimigo os resistiria e que eles iam possuir do melhor. Imagino eu que Moisés tenha dado pulos de alegria. Mas Deus disse: “Te darei tudo isso, mas não vou com você!” (Ex. 33.1-3 – adaptação minha). Imagino Deus aparecendo pra alguns de nós e dizendo: “Sabe aquele carro do ano que você quer? Eu vou te dar! Mas não vou permanecer com você!”. Quantos escolheriam o carro? Antes de responder que escolheríamos a Deus, acho que temos que refletir que de certa forma muitas igrejas tem usado a didática que ensina que Deus é uma espécie de Casas Bahia celestial, onde você chega, escolher o que você quer e “paga como quiser”. Este Deus não existe.
Moisés demonstrou mais amor a face de Deus do que às Suas mãos. Ele disse: “Se a Tua presença não vai comigo, não nos faça subir deste lugar.”.
Acho interessante uma passagem bíblica que fala ao mesmo tempo de fé e relacionamento com Deus. Hebreus 11.6, diz:
“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que se torna galardoador (presenteador) DOS QUE O BUSCAM”.
Repare que o texto não diz que Ele é presenteador dos que buscam Suas bênçãos ou os Seus milagres, mas que ele presenteia os que o buscam.
Na busca por bens e dinheiro vejo muitas pessoas se perderem completamente de Deus e de si mesmas. Quando buscamos a Deus pelo que Ele é, temos tudo que precisamos. (Imprescindível ler Mateus 6.21 e 6.33 e Salmo 37.4).
Tudo do que precisamos Jesus já conquistou pra nós na cruz. Busque um relacionamento com Ele. Ele é nossa maior riqueza.
Deus te abençoe!
Guimel Bilac.